terça-feira, 15 de novembro de 2011

Os habitantes da Miséria

    A existência de moradores de rua nas grandes cidades brasileiras é cada dia mais comum. São quase dois milhões de pessoas que habitam em calçadas, debaixo de pontes, vivendo em condições subumanas e sendo motivo de horror e/ou medo da população. Mas será que os mendigos são mesmo marginais ou, na realidade, são vítimas da própria sociedade? O que se sabe é que a nação mendicante cresce a cada dia, em choque com a nação brasileira por falta de ação do mediador, o governo.

    Tem-se a falsa ideia de que os moradores de rua estão nessa condição de vida porque querem; são bandidos, vagabundos que preferem o ócio ao trabalho; são drogados e alcoólatras. A sociedade, porém, generaliza e os vê no coletivo, desconhecendo sua individualidade e história de vida, bem como os reais motivos de sua atual situação.

    Alguns deles são abandonados pela família na velhice; outros, e a maioria deles, são desempregados, sem oportunidades ou vítimas da má distribuição de renda no Brasil. Já outra parcela acaba nas ruas em situação degradante em função dos vícios no álcool e nas drogas. Nesse caso a atenção deve ser dobrada, havendo tratamento médico, pois os dependentes podem se tornar agressivos e até mesmo cometerem crimes.

    Qualquer que seja a causa, a solução está na ação do governo. A falta desta torna-se ilegal e inconstitucional, já que é obrigatório o respeito e a garantia dos direitos humanos de todos os cidadãos, inclusive dos mendigos. Mesmo sem acesso à propriedade, ao trabalho, ao tratamento médico, ao vestuário, eles é que são considerados os "vilões urbanos".

    O desrespeito aos direitos dos sem-teto afeta também a população em geral, que tem de conviver com "a paisagem da miséria" das cidades, o infortúnio de ser abordada para dar esmolas que não ajudarão em nada e, no pior dos casos, sofrer violência por parte daqueles que veem o crime como a única saída e meio de sobrevivência.

    A desigualdade social é o principal fator que impede que o Brasil se torne um país desenvolvido. Para esta ser reduzida, o primeiro passo é dar mais oportunidades àqueles que não têm nem mesmo moradia. Esse papel é, sobretudo, do governo, o que não significa que os cidadãos comuns não devem ou podem fazer nada. Afinal, todos são suscetíveis a crises financeiras e poderiam "se mudar" para as ruas. Certamente, ninguém gostaria de ser tratado com tal descaso. Por que não oferecer assistência médica, alimentação e emprego aos sem-teto? As ações voluntárias podem amenizar o problema, promover a solidariedade e unir seres humanos de condições diferentes, mas que no fundo são iguais por pertencerem à mesma nação: a nação brasileira.

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