Escola: uma fábrica de monstros?
Wellington Menezes é um garoto pacato, tímido, solitário. Por sua fama de introvertido, costuma ser discriminado. Quando chega à escola, a zombaria começa:
- E aí, Wellington? Você costuma falar sozinho? Porque você não tem amigos né...
Os meninos não querem ser seus amigos. Não permitem que ele entre na conversa, entre no jogo de futebol... Wellington deseja profundamente ser invisível, pois ele não é ignorado, ao contrário, costuma ser o centro das atenções para ser agredido, o que é muito pior. Sua relação com as meninas machuca ainda mais.
- Oi Wellington! Você não quer ficar comigo? Ah é, me esqueci! Ninguém te quer, porque além de horroroso, você é um psicopata que não fala com ninguém!
Para um adolescente, ouvir isso da garota que ele ama, dói mais que uma facada no coração.
Os anos vão se passando e o garoto se torna mais introspectivo a cada dia. As agressões físicas e psicológicas naquele ambiente pavoroso chamado escola, deixaram marcas eternas em Wellington. Até que chega o dia em que decide se vingar.
Ele acorda mais cedo que o normal e sai de casa sem explicações, deixando sua família encabulada. Leva consigo uma arma que, segundo o seu pensamento, lhe trará uma felicidade extrema. Começa a contar as horas, os minutos e até os segundos. O tempo não passa! Enquanto isso, vai relembrando seu plano para tudo sair perfeito.
Faltam cinco minutos para a aula matinal começar. Wellington entra pela portaria principal com a explicação de que faria uma palestra. Sorriso no rosto, coração batendo forte. "Finalmente a justiça será feita", pensa. Logo em seguida começa a chacina. Crianças brincavam e a professora chamava a atenção. Aquela paz inocente foi subitamente transformada em terror. "Vou matar todos vocês!", dizia. Wellington acabou matando dois meninos e dez meninas. Por que a preferência? Para representar aquela garota e muitas outras que haviam partido seu coração para sempre.
O rapaz, que se sentia um herói, percebe que aquela atitude nem mesmo amenizou a sua dor. Era um herói ou um monstro? Mas sua personalidade era reflexo do ambiente, não era sua culpa. O mundo parecia detestar a sua existência. Ou talvez fosse ele mesmo o culpado por se isolar e construir sua própria dor. Mas agora não importa o culpado, o que importa é que esse mundo não é para ele e nem ele era para estar nesse mundo. Welington dá um tiro em sua própria cabeça e pela primeira vez na vida, se sente feliz. Ironicamente a caminho da morte...
