domingo, 4 de dezembro de 2011

Jacques e Claire

    O rei francês Jean Paul era um verdadeiro ditador. Mesmo com seu um metro e meio de altura, impunha respeito. E mais que isso? constrangia a todos a fazerem as suas vontades, mesmo que para isso fosse necessário sacrificar todas as vidas da França. A população tinha aversão a ele, pois além de assassino e tirano, cobrava altíssimos impostos, tirando comida da boca de crianças para sustentar seus luxos. Ele não era um homem que tinha o rei na barriga: era o próprio rei com uma barriga imensa, do tamanho de sua riqueza e sua maldade.

    Claire era a prometida do rei, trinta anos mais nova que ele. Com seus vinte e quatro anos, era uma linda donzela nobre, mas que conservava em seu coração a humildade de um camponês. Da população francesa, Claire era justamente a que mais tinha aversão a ele. Foi por isso que bem no dia do casamento decidiu fugir com seu verdadeiro amor, Jacques.

   Quando Jean Paul soube, ficou irado. Mandou logo que seu exército cercasse os arredores de Paris e resgatasse os pombinhos. Como a operação foi falha, deciciu aprisionar a irmãzinha de Claire, Marie, de onze anos. Mas como a garota tinha uma inteligência muito à frente de sua idade, aproveitou o momento de distração dos soldados e escapou.

    Logo que Claire soube da prisão da irmã, retornou a Paris para resgatá-la. Jacques recusou-se a deixá-la ir sozinha, mesmo sabendo que corria risco de vida.
    - Fique Jacques, por favor. Se Jean Paul fizer algo com você, saiba que eu também morrerei!
    - Não, minha Claire! Tenho forças para enfrentar um exército inteiro, mas não para ficar ao menos um minuto longe de você, razão do meu viver!

    Esconderam-se no jardim do castelo para pensar em como entrariam sem serem vistos.
    - Haja o que houver, saiba que você sempre foi e sempre será o meu único amor.
    Jacques beija intensamente sua amada entre aquelas lindas flores da primavera, temendo que este fosse o último beijo. Foi quando chegaram dois soldados armados. Um deles prende Claire pelos braços e começa a luta. Jacques dá-lhe um soco no rosto arrancando-lhe um dente.
    - Fuja, Claire!
    - Eu não vou sem você!
    A garota para pra pensar e lembra que sua irmã também fora presa. A melhor escolha seria fugir e depois resgatar a ambos.

    Decide pedir ajuda ao seu amigo e fiel escudeiro, Louis, um anãozinho bravo e corajoso que morava na Província de Saint Petesburg.
    - Louis, meu amigo, você não sabe o que aconteceu! Jean Paul, aquele tirano aprisionou Jacques e Marie. Eu preciso da sua ajuda para resgatá-los!
    - Tenho uma boa notícia, ó bela Claire! Entre, por favor!

    O anãozinho se retira da sala de visitas, rumo ao quarto. Claire espera ansiosamente... Afinal, o que ele foi fazer lá dentro? Para se distrair, ela observa detalhadamente sua casa. Tudo tão pequeno como seu dono... Se sente uma gigante dentro daquele lugar! Solta uma gargalhada e vê um quadro na parede à sua frente: era uma foto antiga dela, no dia de seu aniversário de vinte anos. Quando mergulha em pensamentos, é interrompida por uma figura de olhos azuis.
    - Marie!!!

    Agora o resgate de Jacques seria muito mais fácil, pois Marie conhecia todas as dependências do castelo.
    Como o pequeno Louis amava Claire, Jacques era seu rival. Mas o anãozinho era tão altruísta e generoso, que decide ajudar para ver a felicidade de sua amada, mesmo que o fim de seus dias seja ao lado de outro.
    - Precisamos de munição! - grita Louis entusiasmado, abrindo uma caixa de armas.
    Os três heróis saem em sua jornada, esperançosos. Passam por esconderijos inimagináveis e um tanto quanto desconfortáveis, exceto para Louis, é claro. Mas é como diz a famosa frase: "Os melhores perfumes estão nos menores frascos". E a personalidade nobre do pequeno comprovava isso.

    Os túneis subterrâneos acabam saindo no lugar certo: uma sala escura aonde estava Jacques, ferido, acorrentado... Porém os três bravos heróis não esperavam pela presença do rei na mesma sala.
    - Olhe só, mas que nobre visita! Quem é estúpida o suficiente para trocar um rei por um camponês e ainda arriscar sua vida para salvá-lo?
    - Pois saiba, Jean Paul, que todo esse castelo e todo o seu ouro jamais me comprariam, meu coração e minha alma pertencem ao Jacques!
   - Não pertencem mais! - grita o rei que, com um golpe de espada decepa a cabeça de Jacques.

    Claire sente o golpe dentro de seu coração... Saca a arma e atira no peito do assassino. Nesse instante, a sala é invadida pelos soldados, e um deles atira em Claire, acertando-lhe a cabeça. Maire, indignada de ver sua irmã mais velha morta, aperta o gatilho com seus dedos frágeis, acertando o soldado. Inicia-se a troca de balas e um caos no castelo. A pequena Marie recebe um tiro e o anãozinho Louis se revolta pela morte da menina e de sua amada. Dispara milhares de tiros ininterruptos, matando todos os soldados e deixando o castelo coberto por um mar vermelho de sangue.

    Ouve um barulho ensurdecedor! O portão do castelo fora derrubado pela população que se alegrava com a morte do rei tirano. Foram surpreendidos por mais soldados que estavam nos fundos do castelo, barrando as pessoas e matando-as a tiros e espadas.
    E é nesse cenário trágico que o pequeno Louis aponta a arma para sua própria cabeça.
    - Espere-me, Claire, minha amada. Nesse instante vou au teu encontro no paraíso...