sábado, 27 de agosto de 2011

Texto dissertativo sobre a escolha profissional dos jovens

                                     Diga-me o que tu fazes que direi quem tu és

    Chega a tão esperada e temida hora do vestibular. Depois de meses e meses estudando a fio e refletindo sobre a escolha da carreira, o aluno, ansioso e pressionado, acaba marcando qualquer curso. "Seja o que Deus quiser!". Esse é o quadro de muitos jovens do século XXI, pintado por indecisão e insatisfação. A certeza profissional é buscada pelo jovem no exterior, sendo que a resposta está em seu próprio interior.
    As pessoas atualmente têm grande acesso à informação; através da internet conectam-se ao mundo inteiro. Isso as torna mais ligadas ao exterior, à sociedade; tentam ser aceitas e reconhecidas, mas o preço do sucesso pode custar muito alto, chegando ao ponto de perder sua própria personalidade. É por isso que os jovens buscam nas profissões reconhecimento dos pais, amigos, status e uma boa condição econômica, deixando de lado sua vocação, vontade e realização pessoal/profissional.
    Consequentemente, quando não há a formação de profissionais insatisfeitos e com mau rendimento, há um verdadeiro troca-troca de cursos que atrasa a formação e desgasta o estudante. A famosa pergunta de infância: "O que você vai ser quando crescer?" não tem necessariamente a resposta em testes vocacionais, opinião da família, amigos , na fama das profissões ou nas cifras do futuro salário. Como diz o filósofo grego Sócrates: "Conhece-te a ti mesmo". Essa pode ser a chave do sucesso.
    Os estudantes devem ser incentivados pela família, pela escola e até mesmo pela mídia a refletir desde cedo acerca de sua carreira, pois é uma das escolhas mais importantes da vida e é feita numa época em que muitos não são maduros e decididos o suficiente. A profissão deve ser reflexo do próprio ser, pois é através dela que o homem modifica seu meio e registra um legado que pode marcar gerações.

O Retrato Oval - Edgar Allan Poe - final do conto modificado

O castelo no qual meu criado estava decidido a entrar à viva força, não consentindo que eu, ferido como estava, tivesse que passar a noite debaixo da chuvarada, era um grande edifício senhorial e melancólico, que durante muitos e muitos séculos, fora grito de guerra nos Montes Apeninos. Segundo nos disseram, tinha sido abandonado temporariamente por seus donos.

Acomodamo-nos numa das salas menores, que era também a mais modestamente mobiliada. Estava situada num torreão um tanto afastado do corpo principal do castelo; seus móveis, seus adornos, ricos e luxuosos, pareciam maltratados pela ação do tempo e apenas conservavam poucos vestígios do antigo esplendor.
Sobre as paredes caíam tapeçarias e troféus heráldicos, bem como grande quantidade de quadros modernos encerrados em molduras de ouro e madeiras finíssimas. Devido talvez ao delírio que me produzia a alta febre, senti crescer dentro de mim um grande amor por aqueles quadros que como prodigioso e estranho museu, tinha diante dos olhos.
Mandei o criado fechar as pesadas portas e as altas janelas, pois era noite cerrada, e acender o candelabro de sete braços que encontrara sobre a mesa. Descerrei, em seguida, os cortinados de cetim e veludo que rodeavam o dossel de minha cama.
Queria assim, se por acaso não chegasse a conciliar o sono, distrair-me ao menos na contemplação dos quadros na leitura de um livro de pergaminho que havia encontrado sobre a almofada, o qual parecia conter a descrição e a história de todas as obras de arte que se achavam encerradas naquele castelo.
Passei quase toda a noite lendo. Naquele livro estava realmente a história dos quadros que me rodeavam. E as horas transcorreram rapidamente e, sem que eu percebesse, chegou a meia-noite. A luz do candelabro me feria os olhos e, sem que meu criado o notasse, coloquei-o de tal modo que somente projetasse seus tênues raios sobre a superfície escrita do livro. Mas aquela troca de luz produziu um efeito inesperado.

Final modificado criado por mim:  (quem quiser ler o final verdadeiro do conto e lê-lo na íntegra, acesse http://www.beatrix.pro.br/index.php/o-retrato-oval-edgar-allan-poe/)

Mas aquela troca de luz produziu um efeito inesperado.
Uma sombra foi reproduzida no livro: a silhueta de uma nobre senhora que estava representada no retrato oval, o quadro que estava ao meio, bem no foco da minha visão. No quadro, seu rosto estava meio de lado, com um olhar enigmático, santo e sedutor. Seus cabelos negros ondulados repousavam em seu colo ornamentado por um colar de esmeraldas. De repente, a sombra do quadro que misticamente se reproduzira sobre o livro, apontava para uma estrela de seis pontas à direita da página ao final da frase: "Os olhos são a janela da alma. Aquele que muito vê e muito procura, acaba encontrando o que não gostaria..."
Percebi que a tal estrela era a mesma do pingente do colar da donzela. Levantei-me da cama subitamente, cambaleando por causa da febre para me aproximar do quadro. Os olhos da senhora me hipnotizavam; foi quando ela deu uma piscadela e movimentou seu dedo indicador me chamando... Chamando-me... Aproximei-me mais e ela estendeu seu colar na minha direção como se estivesse pedindo que eu o tocasse: ''Pegue!". Balancei a cabeça não para negar, e sim para ter certeza do que eu estava vendo. Será que estou ficando louco?
Quando toquei no colar ele cintilou e algo assustador aconteceu. Um morcego apareceu no quadro e caiu no chão, transformando-se num verdadeiro Conde Drácula. Fiquei paralisado, chocado, abobalhado observando a figura fúnebre vestida com uma capa preta, escondendo seu rosto e mostrando apenas seus olhos aterrorizantes. Agora eu compreendia a tal frase do livro: "Os olhos são a janela da alma. Aquele que muito vê e muito procura, acaba encontrando o que não gostaria..."
Quando a figura, parada à esquerda do quarto falou, senti um arrepio pela minha espinha.
- Quem ousa tocar na Donzela Homanoff?
No mesmo instante comecei a gritar e a chamar Pedro, que dormia como uma pedra em um sono tranquilo. De repente a cena mudou: eu estava esgoelando o coitado, que insistia em perguntar o que estava acontecendo. Eu havia acordado! Tudo fora apenas um sonho!
Pedro assistiu-me em meu repouso e voltou a dormir dizendo que estava tudo bem. Notei que o livro ainda estava aberto na mesma página, sobre a cama. Olhei a estrela de seis pontas e senti um vulto no lado esquerdo do quarto. Engoli em seco. Por via das dúvida, pensei, é melhor fechar esse livro. Deitei-me e voltei a dormir. Recusei olhar novamente para o retrato oval que permanecia parado, porém vivo, bem à minha frente...